Número de acessos

terça-feira, 12 de março de 2013

Jogo Performático


Nesse jogo performático
Os corpos se entrelaçam
Numa cadência única
Indo e vindo
Desacelerando

Ela toma para si o verso
Faz de mim refém de um coração desarmado.

Eu, atônito, paralisado
Recobro a cor
Retomo a fala

Nesse jogo performático
Meu corpo inquietasse
Perde o compasso

Paro de jogar
Cartas na mesa
Corpos extasiados ao solo

Já não falamos da dor
Não falamos

Silenciamos o verso

Atraso os relógios
Para a ampulheta

Nossos corpos
Paralisados, inertes

Eles seguem
Tem a caos como amante fiel

Sem rodeios ou digressões

Entra na dança
Atravessa o jogo
Quebra a partitura

Reinventamos a forma

Nesse jogo performático
Conjugamos o prazer
Aquém dos dizeres
Da prosa e do verso

Sou mais eu e você.

06/03/2013

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Porre de tequila


Para embriagar
Porre de tequila
Porre de torcer sentimentos

E que se dane os bons modos
O sorriso tímido
O toque refinado

Pego com vontade
No seu dorso o gosto salgado da maresia
Porre de tequila

Deixo eles no canto
Esperando a barbárie
Até refazer-me do caos
E bater no peito vazio
Sentir em segundos toda a dor, todo medo em completo êxtase

Amanhã refaço-me do caos
Tomo tendência
Penso: “É só boemia”
Porre de tequila

Recostados, no canta da sala
Eles esperam
Eu!? Jogada noutro canto qualquer
Tento ir sem eles, mas na primeira esquina
Tenho todos de uma só vez

Todo amor posto a espera
Nunca caminho sozinha
Já são parte de mim

Vou me desfazendo
Procurando outros vícios
Vivendo outros pecados
Reinvento motivos para acordar
Ser dono de minhas próprias ilusões
E nem essas consigo viver

Por que metade de mim é posta a espera


12/01/13

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Tato

A mão acalenta
Registra a textura
Reconhece-te a meia luz

Ela transgride o tempo
Sente gostos outrora despercebidos

A mão tece o verso
Dedilha com maestria a bossa
Repica o tambor
Desafina

Encontra-se a meia luz
E se perde

Entre um encontro e outro
A pele grita
Inflama-se

A mão que acalenta
Sente o gozo das manhãs tardias
Firme,opulenta, orvalhadas...

Seu toque
Reverbera outros sons
Tece outros versos

A mão que acalenta
Tem digitais recortadas










quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mulher...

Ela?!
Tem ousado
Revira, entorta, aperta e afrouxa

Ela tem ousado
Ser plena
Livre dos romances de época

Ela tem ousado
Quebrar a forma e diluir-se
Sem modo acertado
Sem jeito de ser

Ela tropeça
Perde o tino
Alonga os braços para o porvir

Toma seus pileques
Embriaga-se
Sorve a vida

Sem meio termos
Jeitos ou trejeitos

Ela ousa
Ir além dos romances de época
Cansou-se dos gracejos sociais
Das liras esparsados
Do verso decaído

Ela ousa
Ir além das imposições
Do gênero, da cor, da raça.

De cara na porta
Com as portas ao chão

Ainda hoje ela precisa ousar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Transgressão

Foi o beijo que você não deu
A carta esquecida
As expectativas guardadas
A esperança que nem chegou a frustração

Foram os bons dias entre os dentes
As caminhadas perdidas
Esse sono eterno
A preguiça de vida

Lamenta o passado
Reclama do porvir
Busca movimentos perfeitos

Assume suas verdades
Bate no peito suas certezas

É lúcido
Certeiro em seus dizeres

Mas você peca
Peca em não assumir a mudança
Peca por que verdades caem por terra

Peca
Por que pecado maior é deixar de viver.

sábado, 22 de setembro de 2012

O corpo


Eu como a presença
Devoro o vazio dos dias
Entre um gozo e outro
Vou equilibrando os prazeres

O corpo não mente
Reluta, pondera, esquiva-se...

Sem razão de ser
Joga fora as patentes
Desalinha, perde a pose...

A certeza de outrora
Vou bebendo-a pela manhã
Pausadamente
Entre um gole e outro
O corpo não mente
Divaga

Entre o café e o jantar
Finge acreditar em verdades alacarte.




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Reta

Linha perpassada
A coser sentimentos
Enlaçando, tecendo as bordas
Liame confuso de nossas certezas

De ponto a ponto
Damos voz ao indizível

Assim, cosendo a dor
Enlaçando as saudades
De ponto a ponto
Cosendo histórias
De uma ponta a outra
Reinventando cores e linhas.





28/08/2012



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Animal Selvagem


Sem sentidos para nortear o tato
Confundo os gostos
Troco palavras
Reinvento assuntos outrora ultrapassados                 

Tem sido assim
Ficção talhada com esmero

Meus sentidos vão reverberando
Gritam aturdidos, perdidos...

Assim, a beira do precipício.
Guio-me pelo instinto

Animal selvagem
Indo e vindo, numa cadencia única.

Já não penso
Devora ideias
Liberto-me do conformismo da vida
Do dever ser
Sem a imposição da forma, de jeitos e trejeitos.

Assim, animal selvagem.
Desbravando essa terra de ninguém
Revolvendo destroços

Animal selvagem
Sem meios-termos
Solto no campo, jogado na vida.
Sem jaulas ou campos de concentração
Conheço em mim o pedaço de homem que faltava.

Aline Félix
28/08/2012

domingo, 17 de junho de 2012

Segredos azul anis


Para além das palavras
Segredos cor de anil
E se ecoa? São só versos
Revirando, dando forma ao indizível.

Arte abstrata
Diagrama imperfeito
Elas vão surgindo
Derramando-se
Miscelânea de sensações

A palavra derradeira?
Silêncio

O verso?
Esse teima em delatar-me

Mas não há verso, prosa ou poesia
Sensações ininteligíveis

O ápice da compreensão não tem forma
É o gozo das manhãs tardias
O desacelerar confuso das estações
É nascer e morrer numa só badalada.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sem amarras

Se crio, distorço, invento e escarro
Jogo fora as liras
Duas gramas de emoção
Esse coração polido, partido, rechaçado.

Vou embora para outros cantos
Nos arredores do Brasil
Lá, onde o eco não ecoa.
A voz não cala
Reverbera dissonante
Repica sem assombro
Livre, opulenta...
Sem disfarces, sem versos a emendar olhares.

Ela é livre
Livre para calar
Livre em desdizer, em contradizer.

Ela anota alguns tons
Desafina, mas não perde o compasso.
Ela é livre para amineirar-se como bem entende
E se não entende, deixe estar...

Ousadia demais é crer saber de tudo
Sabido mesmo é aquele que se acha ignorante
No fim, caladim no seu canto.
Sabe bem mais que imagina saber

06/06/2012

domingo, 3 de junho de 2012

A Lua


Da janela
Vozes, faíscas e pressentimentos.

A lua faceira
Sorri maliciosa
Recusa a dança
Faz gracejos, rodopia e dança sozinha.

Sem cerimônias faz lisonjas e se retira
Enigmática, emudece a plateia.
Consterna o casal indiferente
Desaparece, entre nuvens...

Meretriz da noite
Alcoviteira
Invade o quarto
Sem meios termos ou divagações
Resplandece
Toma de lance os segredos, o corpo, meus versos

Ah lua, feiticeira despudorada.
Toda noite acompanha meus passos
Desacelera, esconde a face...
Embebeda-me

Eu, passo os dias atordoado
Nostálgico, esperando para ciceronear-lhe mais essa vez.
Mais essa noite.


03/06/2012

*Fotografia: Ramon Freitas Santos



quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Presente

Se arrancar-lhe as roupas
Sorver o cheiro do seu corpo
Ser tomado pela perplexidade
Dar lugar ao caos
Não ser dois, mas múltiplos...
Conjugar outros verbos que não a dor

Sua respiração
Repica no meu peito
Ofegante, se esvai...
Renascendo em segundos
Conjugando outros verbos
Desfazendo-se

Deleito-me nas curvas do seu pensamento
Recobro a cor, a fala, o verbo...
Sou a letra escarlate estampada peito

É ferrugem nos ossos
É dizer adeus engasgado
Lamentar o gozo das manhas
Incomodar-se em desdizer

Dor maior
É não ser só lembrança

25/04/12