Número de acessos

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Abraços

Arritmia
Tensão nervosa
A adrenalina corria o corpo
Sensação de anestesia 


Tudo pulsava
Mãos suadas
Vacilos cardíacos
Dislexia
Desencontro entre ação e sensação

Tudo pulsou
Seguiu sem direção acertada
Fluiu, derramou-se

Instante de anestesia auditiva
Perda visual
Foi tudo tumulto
Escuridão que ofusca
Reacende o verbo
Da voz, mas se cala

Transgride

Foi tudo poesia
Abraço sanguíneo
Como tenazes

Deleito-me

Foram horas perdidas no tempo
Um desacelerar de braços e abraços

E tudo pulsou
Fez vendaval
Faz poesia

Noutros braços
Outros abraços. AF

terça-feira, 15 de maio de 2018

HUMANO



Todo esse sentimento
Não me corta
Atravessa
Rompe-me física e mentalmente
Todos os meus anjos e demônios tem sido expurgados

Dia a dia

Todo esse sentimento
É corredeira de rio caudaloso
Buraco negro
Abismo sem fundo
Pulsa, vibra, transborda, enlouquece...

Minhas sinapses não fazem mais ligações nervosas
Eletrocutam-se
Na condição de humano
Todos os sentidos tem se apurado na dor
Penso e acredito na passagem das horas, do tempo, dos sentidos, do sentir

Ah, como é efêmera essa vida
O prazer e a dor sempre compassas fiéis a esgueirar-se
Juntos, de mãos dadas

E qual sentido em todo esse sentir?
A humanidade que tanto me fascina
Hoje? Transborda.

Aline Félix
15/05/2018







terça-feira, 13 de março de 2018

Sopro de Luz




Perdemos tempo com o desamor
Deixamos de ter bons momentos
Para provar alguma razão
Usamos o tempo do outro como nosso
Deixando-o na espera
Criando expectativas que não iremos corresponder
Gastamos energia demais para provar o amor que não existe

Perdemos tempos de vida
Exaltando a si mesmo e nossas convicções
Quando o silêncio é a solução
Quando o deixa a vida seguir seu prumo traria leveza
Mas optamos em brigar pelo amor que não temos
Por certezas inabaláveis
Por conquistas materiais
Quando o amanhã é totalmente incerto

Ainda sabendo do livre arbítrio
Da vontade que pulsa
De que se doer
Faz parte e vai passar

Perdemos tanto tempo em orações
Para mudança do outro
Quando o outro tem sua verdade

Perdemos tempos de vida
Sabendo que nada é eterno
Mas você pode ter felicidade em dias nublados
Olhar por outras janelas
Romper fronteiras de outros países

Perdemos tempos de vida
Quando a vida é um sopro de luz

Aline Félix, 13/03/2018

sexta-feira, 2 de março de 2018

Outono

Vai se despedindo o verão
Vagorosamente

Ah, essa garoa
Vem lavar esse peito que grita
Tempesteia
Faz os dias menores
Noites extensas 


Meu peito é redenção
É chuva em noite de lua cheia
Poesia presa na garganta

Em todas essas noites de outono
O pensamento se esgueira por entre vielas
Noite adentro

Tudo é introspecção
Do vinho tinto
Aos diálogos mentais comigo mesma

O outono é preparação
Vem para sagrar a terra
Ameniza os ânimos e o clima

Sorrateiro
Lava minha alma

Ao fim se despede

Sem delongas

Dorme noites mais tranquilas

02/03/2018

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Silêncio



Hoje somos silêncio
Paz às avessas
O tempo escorrega pelas cobertas
Todas as manhãs a mesma sensação

E silêncio

Ele ecoa, vibra, pulsa
Sinto correr pelas veias
Frio, plácido, sanguíneo

Reverbero silêncio
Não há grito mais ensurdecedor

Antes o caos

Ouvir-se é guerrilhar consigo
Hastear bandeiras brancas sem sucesso
Rogar pelo fim das batalhas

É querer paz e ser guerra
É rasgar-se por dentro e não encontrar sentidos
É ser avesso a si mesmo
É incompreensão
É lutar e não desistir
É aprender a ser amor e ser melhor

O silêncio me inunda, transborda, precipita

De mãos dadas comigo
Sem tréguas
A mais difícil caminhada é o autoconhecimento.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ser Poesia




Da cabeça
As voltas do horizonte

De pés no chão
Braços dados com o incerto

O pensamento vagueia
Estremece o corpo inquieto

Tenho dito não

Caminho sem rota acertada
Descoordernando seu traçado

Ela atravessa meu corpo
Desnorteia sentidos
Estremece minhas certezas
Sempre se achega

Quer sair
Correr livre
Atravessar outros corpos

Desdizer
Faz-me refém
Todos os dias explode em sentimentos
Transmuta-se

Poesia não dita, passada, avessa, fluida
Poesia [bem]dita
Salvai-me





quinta-feira, 1 de junho de 2017

Estribeiras


Segue sem tino
Destino é destino
Torce, retorce, endireita
Desafrouxa a camisa
Pés no chão
O vôo hoje e rasante
Vamos passar rente
Tirar o fino

Destino é destino

O amanhã?
É para ser escrito a nanquim
Com tinta fresca e cabeça aberta

Destino e destino

Pés no chão
Manhãs orvalhadas
Sigo desanuviando
Entardecendo todos os dias

Passo a passo
Sem rumo acertado
Sem marcas, formas ou ajustes
A certeza do caminho é caminhada.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Fluidez

Ela flui sanguínea
Corredeira ininterrupta
A atravessar sentimentos

Derrama-se

Ela se liquefaz
Transmuta

Flui constante
Faz a pele enrubescer
Pupilas dilatarem

Os sentidos ?
Se perdem
Margeiam as fronteiras da sensatez

Sempre a fluir
Como lava vulcânica
Abrasiva incandesce

Faz do verso
Seu último suspiro

Da palavra
Confissão

A reger com maestria
Tudo que pulsa sem forma definida
Reverbera em mim poesia... 

A.F. 
31/01/2017

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Estações

É fim de tarde
Quando o céu é multicor
Os tons se misturam
Intercalam-se
Alaranjam o horizonte

Abrilhanta a pele
O dorso desenhado do passante distraído

Ele é parte do quadro
Contextualiza -se
Faz cena, em cena, incena

Assisto os fins de tarde
Aguardo o porvir

Hora ou outra os tons se arrefessem

Tom sobre tom
O céu multicor anuncia aquela que te arrebata

Entardece em mim

Pouco a pouco
Cadenciando o tempo
O passar das horas

Invadindo a cena
Atravessando o horizonte multicor

Entre uma estação e outra
Seja inverno ou verão
Ela sempre se achega

[Em] luarando  o entardecer
Foto: Isabela Correia

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Palavras

Palavra
Momento
Fresta de luz a incandescer

Caminhos
Novas vertentes
Corredeira de rio
Nascente de chuva

Temporária
Límpida

Ela segue fluida
Tangencia, envereda-se
Faz florescer

Palavra
Reverbera no ar
Pulsa incompreendida

Segue a se enveredar
Como água de rio
Corredeira de chuva

Faz seu caminho
Entre frestas ou abismos
Ela sempre ressoa



Aline Félix, 07/ 12/ 2016

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

TEMPO


Hoje o tempo passa
Os horizontes?!  Distorcidos

O tempo passa constante, obsoleto
Num aparente retardo

Hoje não quero produzir
Vou passar com o tempo

Companhia sutil
Ele não é de grandes movimentos
Mas se integra
Silencioso se integra
Deixa espaço para auto-acuidade
Perceber a si mesmo

Num movimento sutil

Ele passa
E me leva contigo
Entre idas e vindas
Carrega meus passos
Sussurra, verbaliza, atrolepa...

Tempo, algoz, padrinho, amante fulgaz

Nada é tão certo ou errado
É o que é, e segue passando
A nós, o livre arbítrio.





terça-feira, 21 de abril de 2015

O Dizer

Óbvio
Obviedades do dizer

Cautelosa
Não diz
Certeira
Erra

A palavra não dita
É verbo que não reverbera
Entre a garganta e a boca
Estagnada
Consentindo idéias
Pesares
Certezas [?!]

A palavra
Paira no ar
Sufoca na caneta tinteiro
Ela se revolve
Entoa odes do não dizer

Obviedades
São palavras maduras
Prontas para serem ditas

A palavra é finita
Os sentidos diversos
Óbvio são nossas perspectivas [?]
Morre-se por obviedades
Por certezas inabaláveis
Pela palavra não dita

Morre-se de tédio
De pesar
Pela certeza que não temos
Pela palavra silenciada

Mata-se pela palavra
Silenciada por óbvio

Morte do dito pelo “não-dito”.